terça-feira, 22 de junho de 2010

A África negra antes dos europeus: O Império do Mali e o Reino do Congo

     Entre os séculos VIII e XVII, a África ao sul do Deserto do Saara era habitada por vários povos negro-africanos, cada um com seu jeito próprio de ser. Alguns desses povos construíram Impérios e reinos prósperos e organizados, como o Império do Mali e o Reino do Congo.
O Império do Mali
    Há poucos documentos escritos sobre o Mali; os vestígios arqueológicos (vasos, potes, panelas, restos de alimentos e de fogueiras) também são reduzidos. Assim, as principais fontes para o conhecimento do Mali têm sido as histórias preservadas pelos griots e transmitidas de boca em boca, dos mais velhos para os mais jovens.
    Contam os griots que, lá pelo início do século XIII, na África Ocidental, o povo mandinga do pequeno reino do Mali foi conquistado e dominado pelo povo sosso, do então reino de Gana, cujo rei era muito cruel. Certo dia, os mandingas se rebelaram e, liderados pelo príncipe Sundiata Keita, venceram seus opresssores na batalha de Kirina, em 1235. Cinco anos depois, à frente do povo mandinga, Sundiata Keita conquistou Gana e passou a reinar sobre um extenso território denominado Império do Mali.
 Mapa do Império do Mali

História política
      No poder, Sundiata anexou o reino de Gana e converteu-se ao islamismo. Com o título de mansa, ele organizou o Império do Mali, dividindo-o em províncias, e deslocou sua capital para Niani, no sul do Mali. De lá partiam duas grandes estradas: uma que apontava para o norte e outra voltada para o nordeste. Nesta última, surgiram duas grandes cidades negras: Djenné e Tombuctu.
      Cinquenta anos depois, o mansa Abu Bacar I amplia o território do Mali conquistando o reino de Songai. Com seu sucessor, Kanku Mussá, o Império do Mali chegou a seu apogeu. E, graças a suas ricas minas de ouro e ao controle das vias de comércio com a Líbia e o Egito, tornou-se o Estado mais rico da África Ocidental.
      Durante seu reinado, o mansa Kanku Mussá fez sua famosa peregrinação à cidade de Meca, levando consigo 60 mil pessoas e algumas toneladas de ouro para distribuir entre os necessitados e presentear outros governantes muçulmanos, como o sultão do Cairo. A distribuição de ouro foi tanta que o preço desse metal precioso despencou. Na volta, Kunku Mussá trouxe consigo um grupo de sábios e arquitetos que colaboraram para a glória do maior Império africano de seu tempo.
 África atual: divisão política e regiões
Economia malinesa
    O Mali era o maior produtosr de ouro da África. Além da mineração, os malineses praticavam a agricultura e o pastoreio. Cultivavam arroz - a espécie nativa do valedo rio Níger -, milhete, inhame, algodão, feijão e outros legumes. E, no vale do Níger, criavam bovinos, ovinos e caprinos. O peixe defumado complementava sua alimentação. A cada colheita, uma parte simbólica era oferecida ao imperador.
      O artesanato era bastante desenvolvido. Os artesãos estavam divididos em grupos profissionais: marceneiros, cesteiros, ferreiros, barqueiros, tecelões, ourives etc. Os ourives e os tecelões eram os mais prestigiados. Cada grupo de artesãos tinha seu representante perante o imperador. Os artesãos malineses eram habilidosos, como se pode ver (à direita) por esta Kora, instrumento musical usado pelos griots.
 O sal das minas do deserto do Saara
Administração e poder
      No Mali, o imperador era a maior autoridade, mas seu jeito de conduzir o governo era singular: ele ouvia as queixas de seus súditos e julgava os casos mais importantes pessoalmente.
      O imperador ouvia seus auxiliares (o conselho) sempre que precisava tomar uma decisão importante. Uma figura de destaque na corte africana era o griot. Os griots eram procurados por minutos reis africanos para serem professores particulares de seus filhos. Eles ensinavam arte, passavam conhecimentos sobre plantas, tradições, história e davam conselhos aos jovens príncipes.
       A política de consulta aos povos do Império, combinada com um exército bem treinado e o respeito às tradições e aos costumes dos povos sob seu domínio, contribuiu para que o Império do Mali durasse cerca de 300 anos e chegasse a ser bastante populoso. No século XIV, durante seu apogeu, ele chegou a ter 45 milhões de habitantes.
O Mali e os portugueses  
       No final do século XV, porém, o Mali, o mais respeitado Império da África Ocidental, começou a perder território para outros reinos negros surgidos na região, como o de Songhai. Além disso, em seu litoral despontou uma nova ameaça: os portugueses. Eles também tinham experiência na política e no comércio, com uma vantagem: possuíam armas de fogo, desconhecidas pelos malineses.
       Inicialmente, os traficantes portugueses tentaram eles próprios escravizar as populações da costa africana. Mas, como essas populações resistiram, eles mudaram de tática: começaram a propor ajudar militar a chefes africanos que lutavam entre si. Era comum também oferecerem vantagens comerciais a eles, incentivando-os a se rebelar contra o imperador do Mali. um exemplo: com a ajuda portuguesa, o governante da região litorânea de Salum separou-se do Mali, que, com isso, ficou sem sua porta para o Atlântico. No final do século XVI, enfraquecido, o Mali foi perdendo territórios e se esfacelando.
O Reino do Congo
       No ano 1000, a África, ao sul da Linha do Equador, era habitada por povos que falavam lìnguas banto. Nessa imensa área, os africanos também formaram reinos poderosos e organizados, entre os quais o reino do Congo.
       Tudo começou quando Nimi Lukeni, chefe do povo Kicongo, atravessou o Rio Zaire (chamando pelos portugueses de Congo) e se casou com uma mulher do povo ambundo. Desse casamento e da união entre esses dois povos bantos nasceu, no final do século XIV, o reino do Congo. Nimi Lukeni recebeu o título Mani Congo, que quer dizer "senhor do Congo". Pouco a pouco, seus sucessores foram ampliando o território do reino por meio de conquistas militares e casamentos.
 Mapa do Reino do Congo: século XIV
O poder do Mani Kongo
      O centro de poder localizava-se em Mbanza Congo, capital, de onde o Mani Congo exercia sua autoridade, com o auxílio conselheiros, entre os quais estavam os coletores de impostos, os secretários reais, os oficiais militares e os juízes.
      Assim como os reis europeus, o rei do Congo possuía seu trono, seus súditos e recebia impostos, que eram pagos em espécie (sorgo, vinho da palma, metais, frutas, gado, marfim e peles) e em dinheiro.
Os congos e os portugueses  
    Os congos viviam com seus costumes quando o capitão português Diogo Cão chegou à foz do Rio Congo, em 1483.  No primeiro contato, o rei do Congo, talvez por temor das armas de fogo portugueses, recebeu-os cordialmente. Aproveitando-se disso, os comerciantes portugueses começaram a interferir na política africana.
      Com a morte do rei do Congo, abriu-se uma disputa pelo trono entre seus dois filhos. Os 
comerciantes portugueses ajudaram um deles, Nzinga Mbemba, a vencer o irmão nessa disputa. Logo que começou a reinar em 1505, Nzinga Mbemba converteu-se ao cristianismo e adotou o nome português Affonso. A partir de então, estudou dez anos com os padres em Mbanza Congo, aprendendo a falar e a escrever bem em português.
      Affonso I (1505-1543) procurou adquirir os conhecimentos e as armas que vinham da Europa, pensando certamente em fortalecer seu reino. Com essa intenção também enviou jovens africanos para estudar em portugal e escreveu ao rei português pedindo que enviasse missionários, médicos e professores a seu país. De portugal, porém, vieram principalmente traficantes interessados em conseguir homens, mulheres e crianças para escravizar e vender.
 O Reino do Congo

Livro, Site, Filme
  • BARBOSA, Rogério Andrade. Sundjata: o príncipe leão. Rio de Janeiro: Agir, 1995.
  • Meu Lote. Disponivel em:<www.neilopes.blogger.com.br>
  • Uma jornada da esperança. Direção de DavidHickson, África do Sul: Paris Filmes, 2003.


10 comentários:

Cleverson azevedo dos santos disse...

Vlw Me Ajudou Muito Obrigado....

Anônimo disse...

Muito obrgidao !

Anônimo disse...

vlw me ajudou

Anônimo disse...

vlw ajudo

Anônimo disse...

vou tirar 10 na prova

Anônimo disse...

alguem me explica como era a africa do sul antes dos europeus?

Anônimo disse...

que booooooooooosta merdaaaaaaaaaaaa q porcariaaaaaaaa do caralho

Anônimo disse...

Por favor, prof gostaria de saber se existia a escravião na África antes da entrada dos europeus no território Africano e o que levou ao comércio de pessoas deste continente para as Americas gostaria que me recomendasse os livros

Anônimo disse...

eu acho que isso ajuda muitas pessoas

Anônimo disse...

muito bom sqnao kkkkk

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